Banco do Brasil (BBAS3) Está Caro ou Barato? Saiba o Preço Justo!

O Banco do Brasil (BBAS3) reportou um lucro líquido de R$ 9,58 bilhões no quarto trimestre de 2024 (4T24), em linha com o consenso de mercado e as projeções dos analistas.

O resultado representa um crescimento modesto de +0,7% na comparação trimestral (t/t) e +1,5% na base anual (a/a), com um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 20,3% (-0,31pp t/t), mantendo-se em um patamar robusto.

No entanto, o guidance para 2025 indica um crescimento mais contido.

O banco projeta um lucro de R$ 39 bilhões para o ano, o que representa uma alta de apenas +2,9% a/a, abaixo da projeção de R$ 40 bilhões dos analistas.

O guidance sugere uma rentabilidade levemente pressionada, refletindo o aumento do custo de crédito e uma desaceleração na expansão da carteira de crédito.

Esse cenário pode gerar uma reação neutra ou negativa no mercado, sem grandes revisões otimistas.

Principais Desafios no Horizonte

Embora o BBAS3 tenha apresentado uma melhora na composição do lucro em relação ao trimestre anterior, impulsionada por uma alíquota de imposto mais normalizada, persistem preocupações quanto à qualidade dos ativos e capital do banco:

  • Capital Principal (CET1) mais pressionado: O índice caiu -0,88pp t/t, para 10,9%, e deve recuar ainda mais para 10,7% com a implementação da Resolução 4.966 em janeiro de 2025. Isso deixa o banco abaixo do nível ideal de 11%, mas ainda acima do mínimo regulatório de 8%.
  • Deterioração da inadimplência no agronegócio: A carteira agro seguiu piorando além do esperado, elevando a necessidade de provisões ao longo do ano.
  • Consumo do índice de cobertura: O fluxo de provisões foi reduzido, mas o índice de cobertura segue sendo consumido, indicando pressões na qualidade da carteira.
  • Carteira renegociada em alta: Chegou a R$ 44 bilhões, com novas contratações saltando para um recorde de R$ 8,3 bilhões (+30% t/t).
  • Queda no lucro do Banco Patagonia: O lucro da subsidiária argentina caiu -28% t/t e -71% a/a, totalizando R$ 684 milhões no 4T24.

Diante desse contexto, o custo do crédito deve permanecer pressionado no primeiro semestre de 2025, principalmente devido aos desafios no agronegócio e ao ambiente econômico incerto.

No entanto, espera-se uma recuperação gradual no segundo semestre, conforme o ciclo de crédito rural se normalize.

Dividendos e Valuation do BBAS3

Apesar do cenário desafiador, o BBAS3 manterá uma política de remuneração atrativa aos acionistas.

O banco anunciou a distribuição de R$ 776 milhões em dividendos e R$ 1,95 bilhão em Juros sobre Capital Próprio (JCP), totalizando R$ 0,65 por ação, com um dividend yield estimado em 2,27%.

Os múltiplos do Banco do Brasil seguem atrativos, sendo negociados a um P/VP de 0,86x para 2024 e P/E de 4,1x para 2025.

O preço justo da ação é estimado em R$ 32,53.

Conclusão

O BBAS3 entregou um resultado sólido no 4T24, mas o guidance para 2025 indica um crescimento modesto, refletindo pressões no custo do crédito e desafios no setor agro.

O mercado pode reagir de forma neutra a negativa, especialmente diante da piora na qualidade dos ativos.

No entanto, com um valuation atrativo e uma política consistente de distribuição de dividendos, o papel continua sendo uma opção interessante para investidores de longo prazo.

Faça parte do grupo gratuito para não perder nenhuma notícia: