O Citi atualizou sua visão sobre as ações do Banco do Brasil (BBAS3), elevando a recomendação de “neutra” para compra e ajustando o preço-alvo de R$ 22 para R$ 29, sinalizando um potencial de alta de 33%. A mudança de postura veio acompanhada de uma leitura mais otimista sobre o cenário macro e sobre a própria resiliência do banco estatal.
Por que o Citi voltou a recomendar BBAS3?
A decisão do Citi se apoia em dois pilares principais:
- Alívio regulatório e medidas do governo: O pacote recente do governo, incluindo a liberação de R$ 12 bilhões para renegociação de dívidas do agronegócio e maior flexibilidade nas regras de inadimplência, foi bem recebido pelo mercado. Essas medidas podem reduzir o custo de risco do banco e fortalecer sua base de capital até 2026.
- Assimetria de avaliação: Para o Citi, os riscos já estão amplamente precificados. A projeção é de um lucro líquido de R$ 29,3 bilhões em 2026, superando o consenso do mercado em 9%.
O pior ficou para trás?
Os analistas enxergam o 3T25 como o ponto mais fraco do ano, especialmente julho, que concentrou maior pressão sobre a lucratividade. As despesas com provisões devem ficar em torno de R$ 16 bilhões no trimestre, levemente acima do R$ 15,9 bi do 2T25.
Apesar disso, as alterações regulatórias são vistas como gatilhos positivos. Entre os impactos destacados estão:
- Receita levemente maior;
- Base de capital mais robusta;
- Melhora no provisionamento.
Esses fatores podem normalizar o custo de risco e abrir espaço para resultados melhores nos próximos trimestres.
Os riscos ainda existem
Mesmo com a visão otimista, o Citi alerta para dois riscos principais:
- Adesão abaixo do esperado ao programa do governo por parte dos clientes, especialmente no agronegócio.
- Pressão de PMEs (que representam cerca de 11% da carteira de crédito do banco) sobre a qualidade dos ativos.
Vale a pena investir em BBAS3 agora?
Com as ações ainda negociadas a múltiplos atrativos e um cenário de melhora regulatória, BBAS3 pode estar diante de um ponto de inflexão. Para investidores que buscam valor e estão atentos ao ciclo de crédito, o papel volta a ganhar destaque no radar.
Fica o insight: em momentos de pessimismo precificado, surgem as oportunidades mais assimétricas. O Banco do Brasil pode ser um desses casos.

