O segundo trimestre de 2025 trouxe uma fotografia nítida das diferentes fases vividas pelos grandes bancos brasileiros. Enquanto o BTG Pactual (BPAC11) entregou um desempenho acima de todas as expectativas, o Banco do Brasil (BBAS3) decepcionou até os analistas mais pessimistas. Para o investidor, os resultados acendem alertas e também oportunidades.
O destaque absoluto foi o BTG, que alcançou um Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE) de impressionantes 27%. Para se ter uma ideia do feito, o segundo colocado no setor, o Itaú, registrou 23%. A diferença surpreendeu o mercado, especialmente em um ambiente de juros elevados e expansão de crédito moderada. Agora o grande desafio do banco é manter esse nível de rentabilidade nos próximos trimestres.
O cenário econômico não ajudou. A Selic a 15% impõe um custo de capital alto e pressiona margens, mas o BTG conseguiu navegar com eficiência, demonstrando força operacional e capacidade de geração de valor. Como destacou um analista, “imagina o que o BTG conseguiria fazer numa economia pujante, com uma Selic de um dígito e um mercado de capitais aquecido”.
Na contramão, o Banco do Brasil apresentou um ROE de apenas 8%, abaixo até da taxa básica de juros. O principal fator foi o aumento da inadimplência no agronegócio, setor no qual o banco tem forte exposição. A crise de crédito entre produtores levou a um aumento nas recuperações judiciais e pressionou o resultado. Como medida defensiva, o BB reduziu o payout de 40% para 30%, diminuindo a distribuição de dividendos. As expectativas para o terceiro trimestre seguem fracas, e nenhuma casa de análise recomenda compra no momento, embora também não haja rebaixamento para venda. O mercado parece adotar uma postura de observação, à espera de sinais de virada. A própria administração do banco aposta em uma melhora apenas a partir de 2026.
No meio do caminho ficaram os demais bancos listados. O Bradesco (BBDC4) apresentou um resultado positivo, com ROE de 14,6%, aproximando-se do custo de capital. A instituição ainda está em processo de recuperação, mas vem executando bem o básico, e isso já foi suficiente para atrair olhares. Analistas de bancos como UBS e Itaú BBA elevaram o preço-alvo das ações, sinalizando confiança na retomada.
O Itaú (ITUB4), como de costume, manteve sua reputação de “reloginho suíço”. Entregou um resultado sólido e em linha com o esperado, com ROE estável em 23%. A grande surpresa veio na forma de um possível pagamento de dividendos extraordinários, mencionado pelo CEO, o que pode valorizar ainda mais o papel e reforçar seu perfil de investimento defensivo.
Por fim, o Santander (SANB11) registrou leve queda no ROE, de 17% para 16%, frustrando expectativas. O banco enfrenta um aumento sutil na inadimplência e, por isso, analistas mantêm uma visão mais cautelosa. O papel continua com viés neutro no mercado, aguardando sinais mais claros de recuperação.
Em resumo, o 2T25 deixou claro quem está entregando valor mesmo em um ambiente desafiador. BTG lidera com folga, Itaú segue confiável, Bradesco mostra sinais de melhora, Santander patina e o Banco do Brasil ainda busca um caminho de recuperação. Para o investidor, o momento é ideal para reavaliar sua exposição ao setor e ajustar a carteira com base nos fundamentos.

