Ações disparam após resultados do segundo trimestre e mercado volta atenção para decisão do Cade
A aguardada fusão entre BRF (BRFS3) e Marfrig (MRFG3) ganhou novos contornos após a divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2025. Com números consistentes e expectativas renovadas, os papéis das duas gigantes do setor de alimentos reagiram com forte valorização, refletindo o otimismo do mercado diante da possível criação de uma nova potência global de proteínas.
Enquanto o lucro da Marfrig cresceu 13 por cento no trimestre, alcançando 85 milhões de reais, a BRF reportou lucro líquido de 735 milhões, uma queda de 33 por cento em relação ao ano anterior, mas ainda assim acima das expectativas. A boa performance operacional de ambas reforça a narrativa de uma combinação estratégica com alto potencial de sinergias.
O que está em jogo com a fusão BRF Marfrig
A votação do Cade prevista para 20 de agosto pode ser o ponto de virada. A aprovação eliminará incertezas regulatórias e pode direcionar o foco dos investidores para o futuro da nova companhia. A expectativa gira em torno de uma empresa com crescimento acima da média, margens superiores às dos concorrentes e potencial de valorização por meio de dividendos e recompras de ações.
Segundo o Goldman Sachs, a Marfrig está bem posicionada com ativos complementares. A BRF apresenta estrutura fortalecida e resiliência nas operações de frango, enquanto a National Beef, nos Estados Unidos, deve se beneficiar do novo ciclo positivo da carne bovina no país. Já na América do Sul, a companhia aposta em uma estratégia de verticalização para ampliar margens e controlar custos.
Relação de troca divide analistas e investidores
Apesar do otimismo, o mercado avalia com cautela os termos da fusão. A Monte Bravo, por exemplo, considera a relação de troca pouco atraente para acionistas da BRF e recomenda o exercício do direito de recesso, que garante 19,89 reais por ação. Já para quem pretende manter posição na nova companhia, a sugestão é vender ações da BRF e comprar diretamente papéis da Marfrig.
O argumento está baseado no maior potencial de valorização da Marfrig, que inclusive já aumentou sua participação na BRF por meio de recompras e reinvestimentos do caixa gerado. Para analistas da XP, a decisão do investidor depende agora menos dos fundamentos individuais e mais dos rumos estratégicos da fusão.
Resultados em linha sustentam o otimismo
Mesmo com desafios como a gripe aviária e restrições de exportação impostas por China e União Europeia, a BRF surpreendeu positivamente. A empresa registrou EBITDA ajustado de 2,5 bilhões de reais, 8 por cento acima da projeção da XP, com destaque para o bom desempenho dos segmentos Brasil e Internacional.
A Marfrig também superou as estimativas, com receita líquida de 22,5 bilhões de reais e EBITDA ajustado de 553 milhões no modelo stand-alone ou 3,05 bilhões considerando a BRF. O diferencial foi a performance da National Beef, que operou no breakeven enquanto concorrentes registraram margens negativas.
O que esperar da nova companhia
Com a fusão aprovada em assembleia e prestes a ser avaliada pelo Cade, o foco agora recai sobre os próximos passos. Investidores acompanham de perto questões como alocação de capital, extração de sinergias, estrutura de governança e possibilidade de listagem da nova empresa nos Estados Unidos.
O ciclo do frango segue positivo, a expectativa é de queda nos preços dos grãos e a demanda por proteínas continua forte. Tudo isso reforça a tese de uma companhia com margens elevadas e geração robusta de caixa.
Fique de olho. A decisão do Cade pode redefinir o mapa do setor de alimentos no Brasil e gerar oportunidades relevantes para quem souber interpretar os sinais do mercado.

