Analisamos os números mais recentes do Banco do Brasil (BBAS3) e do Itaú Unibanco (ITUB4) para entender qual pode ser a melhor escolha no cenário atual de Selic a 15% e economia moderada.
Banco do Brasil (BBAS3)
O Banco do Brasil segue oferecendo um dos dividend yields mais altos entre os grandes bancos da B3, variando entre 11,9% e 12,5% nos últimos 12 meses. O lucro ajustado projetado para 2025 está entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, com payout estimado entre 40% e 45%.
O retorno sobre patrimônio líquido (ROE) foi de 16,7% no primeiro trimestre de 2025 e pode cair para a faixa de 11% no segundo trimestre, refletindo maior pressão nas provisões, especialmente no segmento do agronegócio. Essa área representa cerca de um terço da carteira de crédito e vem apresentando aumento de inadimplência.
O valuation segue descontado em relação aos pares, mas há risco maior por conta da influência estatal e do cenário de crédito mais desafiador.
Itaú Unibanco (ITUB4)
O Itaú Unibanco mantém uma posição sólida e altamente rentável. O ROE no segundo trimestre de 2025 foi de 22,5%, com lucro recorrente em alta de dois dígitos na comparação anual. A eficiência operacional é destaque, com custo sobre receita próximo de 38%.
O dividend yield gira em torno de 6,5% nos últimos 12 meses, menor que o do Banco do Brasil, mas com previsibilidade e constância nos pagamentos. A carteira de crédito é mais diversificada e a inadimplência se mantém sob controle, em patamares inferiores aos dos concorrentes.
O banco investe fortemente em tecnologia, migrando sistemas para a nuvem e ampliando o uso de inteligência artificial, o que deve sustentar a eficiência no longo prazo.
Comparativo rápido
| Indicador | BBAS3 | ITUB4 |
|---|---|---|
| Dividend Yield (TTM) | 11,9% – 12,5% | 6,4% – 6,7% |
| ROE recente | 16,7% (1T25) | 22,5% (2T25) |
| Lucro projetado 2025 | R$ 37–41 bilhões | Crescimento de dois dígitos |
| Riscos | Exposição ao agro, ingerência estatal | Valuation mais alto, DY menor |
Conclusão
Para quem busca renda passiva elevada no curto prazo e aceita um risco maior ligado ao crédito rural, o BBAS3 tende a ser mais atrativo pelo alto dividend yield. Já para quem prioriza rentabilidade consistente, gestão eficiente e menor volatilidade, o ITUB4 oferece um perfil mais defensivo, mesmo pagando menos dividendos.
Uma estratégia que combine os dois papéis pode equilibrar fluxo de renda e crescimento estável no portfólio.

