Itaúsa mira expansão de investimentos a partir de 2027 com cenário tributário mais favorável

Holding avalia reforço em empresas do portfólio e entrada em novos setores como o agronegócio, de olho em mudanças tributárias e no alongamento da dívida

A Itaúsa, uma das maiores holdings do Brasil, sinalizou que poderá ampliar seus investimentos a partir de 2027, aproveitando um cenário tributário mais favorável. O movimento deve priorizar companhias já presentes no portfólio, embora setores estratégicos como o agronegócio também estejam no radar.

Expansão focada no portfólio atual

Segundo a administração, a Itaúsa está “bastante satisfeita” com a composição atual de ativos, que inclui participações relevantes no Itaú Unibanco, Aegea Saneamento, Copa Energia e outras empresas estratégicas.

O ano de 2027 é visto como marco porque entram em vigor mudanças fiscais que reduzem ineficiências, como o fim da cobrança de PIS/Cofins sobre juros sobre capital próprio (JCP). Essa alteração deve liberar mais recursos para reinvestimento, fortalecendo o caixa e aumentando a rentabilidade das operações.

Olho no agronegócio, mas com cautela

O agronegócio, responsável por cerca de 25% do PIB brasileiro, é apontado como uma oportunidade ainda inexplorada pela holding. No entanto, o grupo só pretende entrar no setor com projetos que entreguem retorno próximo de 20%, compensando o atual patamar elevado da taxa Selic.

Além disso, a empresa não quer assumir exposição direta à volatilidade dos preços das commodities, buscando alternativas mais estáveis dentro da cadeia de valor do agro.

Gestão de dívida e cenário macro

A Itaúsa mantém a estratégia de alongar vencimentos para a década de 2030, aproveitando a previsibilidade até a virada tributária de 2027. No momento, não há intenção de amortizações antecipadas, preservando liquidez para novas oportunidades.

Bonificação e impacto da Petrobras

Uma possível bonificação aos acionistas deve ser avaliada pelo conselho no fim de 2025, dependendo de votações no Congresso sobre a incorporação de reservas de lucro.

No segmento de energia, a Itaúsa não pretende vender sua participação na Copa Energia, mesmo com a Petrobras planejando retornar ao mercado de distribuição de GLP, o que pode pressionar margens no setor.

IPO da Aegea no radar

A Aegea Saneamento está se preparando para um eventual IPO assim que o mercado de capitais reabrir para ofertas. A operação será avaliada com base em um valuation considerado adequado pelos controladores.

Tecnologia e eficiência no Itaú Unibanco

O Itaú Unibanco, principal ativo da holding, avança na migração de seus sistemas para computação em nuvem e na integração de inteligência artificial para otimizar processos e atendimento. A expectativa é encerrar 2026 em um patamar elevado de eficiência operacional.


Insight Viver de Rendimentos:
A sinalização da Itaúsa reforça uma visão de longo prazo, com disciplina na alocação de capital e foco em eficiência tributária. Para o investidor, isso indica potencial de valorização no médio prazo, especialmente para quem mira 2027 como ponto de inflexão.