As ações de mercados emergentes voltaram aos holofotes dos grandes bancos globais. Após anos de desempenho abaixo da média, o JPMorgan sinalizou uma virada estratégica: elevou sua recomendação para ações de países emergentes, superando pela primeira vez em muito tempo sua visão sobre os mercados desenvolvidos.
Mas o que justifica esse otimismo renovado? Segundo o banco americano, há cinco razões sólidas para acreditar que os emergentes podem entregar retornos superiores nos próximos trimestres.
1. Desempenho passado já precificou o pessimismo
Os mercados emergentes viveram uma década de frustrações. Desde 2010, ficaram mais de 200% atrás dos mercados desenvolvidos, e só entre 2021 e o final de 2024 perderam 55% em termos relativos. Esse histórico, embora desafiador, abre espaço para valorização futura, especialmente considerando que muitos investidores reduziram sua exposição, criando um campo fértil para surpresas positivas.
2. Tendência de enfraquecimento do dólar americano
Um dos principais vetores que impulsionam ativos de países emergentes é a direção do dólar. O JPMorgan projeta que, apesar de uma possível recuperação no curto prazo, a moeda americana tende a se enfraquecer no horizonte de longo prazo. Essa dinâmica costuma beneficiar economias emergentes, que são mais sensíveis ao câmbio por dependerem de capital externo e comércio internacional.
3. Política monetária global mais favorável
Com sinais de que o Federal Reserve pode adotar uma postura mais dovish (menos agressiva em relação aos juros), o cenário se torna mais positivo para países em desenvolvimento. O JPMorgan aponta que 19 dos 21 bancos centrais de mercados emergentes monitorados devem reduzir suas taxas de juros no segundo semestre, criando um ambiente mais estimulante para o crescimento econômico e para os mercados acionários locais.
4. China: o pessimismo pode estar exagerado
O banco acredita que o excesso de ceticismo em relação à China já está precificado. O sentimento do mercado é amplamente negativo, mas começa a haver uma mudança nas políticas econômicas do país, com foco crescente no estímulo à economia privada. Se confirmada, essa inflexão pode ser um catalisador importante para os ativos da região.
5. Avaliações ainda muito atraentes
Por fim, as ações de mercados emergentes continuam sendo negociadas com múltiplos significativamente mais baixos que os dos mercados desenvolvidos. O preço/lucro projetado está em torno de 13 vezes, contra 20 vezes nos países desenvolvidos. Em outras palavras, o investidor paga menos por cada real de lucro — o que aumenta o potencial de valorização, especialmente se houver um reaquecimento nos lucros corporativos.
Brasil entre os destaques
Além da China, o JPMorgan também vê boas oportunidades na Índia, Coreia do Sul e Brasil. A liquidez doméstica, o suporte governamental e um ambiente de juros mais benigno colocam esses países em uma posição favorável no radar de investidores globais.
A mensagem é clara: mercados emergentes não são mais apenas um “risco adicional”, mas uma classe de ativos com fundamentos e valuations que justificam uma alocação mais robusta. Com o cenário externo colaborando e as economias locais reagindo, o momento pode ser de virada.

