WEG (WEGE3) despenca após balanço do 2T25: queda nas receitas frustra mercado, analistas veem oportunidade

A ação da WEG (WEGE3) registrou forte queda de 8,01% no pregão de terça-feira (23), negociada a R$ 38,01, após divulgar resultados do segundo trimestre de 2025 abaixo das expectativas. Mesmo com melhora nas margens, o mercado reagiu mal à desaceleração do crescimento orgânico da receita.

Segundo a XP Investimentos, o avanço de apenas 1% nas vendas orgânicas ano a ano — ante os 5-7% dos trimestres anteriores — evidencia a perda de tração da companhia no curto prazo.

→ Principais números do 2T25

  • Lucro líquido: R$ 1,592 bilhão (+10,4% a/a)
    → 6% abaixo do consenso do mercado
  • Ebitda: R$ 2,26 bilhões (+6,5%)
    → abaixo da projeção de R$ 2,49 bilhões (LSEG)
  • Receita líquida: R$ 10,21 bilhões (+10,1%)
    → frente à expectativa de R$ 11,16 bilhões

→ O que pesou no resultado

  • Valorização do real em 2025, afetando exportações
  • Base comparativa elevada no 2T24 (boom solar)
  • Menor volume de projetos no Brasil
  • Postergação de projetos de ciclo longo, por juros altos
  • Incertezas com novas tarifas nos EUA (impacto potencial a partir de agosto)

A divisão de motores elétricos — cerca de 50% da receita — foi diretamente afetada pelo ambiente macro desafiador.

→ Reações dos analistas

XP Investimentos
→ Destaque para a desaceleração das vendas como maior preocupação

Goldman Sachs
→ Lucro, receita e Ebitda abaixo das estimativas
→ Recomendação de venda, com preço-alvo de R$ 44,60
→ Preocupações com desaceleração e instabilidade tarifária

Itaú BBA
→ Apesar de já prever fraqueza, resultados vieram 6% abaixo
→ Aponta oportunidade: com a queda de mais de 8%, WEGE3 negocia a 23x lucro estimado de 2026
→ Recomendação outperform (compra), preço-alvo: R$ 65

JPMorgan
→ Ebitda 8% abaixo do esperado, mas margens surpreenderam positivamente
→ Vê tendência de melhoria nas margens
→ Recomendação overweight (compra)

→ Oportunidade ou sinal de alerta?

Com as ações acumulando queda de 22% no ano, frente a uma alta de 11% do Ibovespa, parte do mercado começa a ver a WEG como um case de longo prazo descontado. O ponto de atenção agora está nos próximos trimestres — especialmente com o impacto das tarifas americanas e a continuidade da desaceleração nas receitas.

→ Expectativas para a teleconferência (24/07)

Os analistas estarão atentos a três pontos centrais:

→ Efeitos das tarifas dos EUA sobre a rentabilidade
→ Pipeline de projetos solares no 2S25
→ Perspectivas de crescimento diante da incerteza global


Apesar do crescimento mais lento e decepções no curto prazo, a WEG continua sendo uma gigante com fundamentos sólidos. Para o investidor de longo prazo, a forte correção recente pode representar uma oportunidade de entrada — desde que atento aos riscos macro e à nova realidade de crescimento mais moderado.