A Netflix surpreendeu o mercado no segundo trimestre de 2025. A empresa registrou lucro líquido de US$ 3,13 bilhões, alta de 45% em relação ao mesmo período de 2024 e uma receita de US$ 11,08 bilhões, superando as projeções de Wall Street. Ainda assim, suas ações recuaram mais de 5% após a divulgação do balanço. O que explica essa reação aparentemente contraditória?

A resposta está nos detalhes do crescimento e nas expectativas embutidas no valuation atual da companhia. Vamos aos pontos-chave.


Resultados fortes, mas com ressalvas

Não há dúvida: os números foram robustos. Além do lucro crescente, a Netflix atingiu margem operacional recorde de 34% e viu o fluxo de caixa livre saltar 91% no trimestre.

A empresa também revisou para cima sua projeção de receita para o ano, que agora está entre US$ 44,8 bilhões e US$ 45,2 bilhões, antes, o intervalo era de US$ 43,5 bilhões a US$ 44,5 bilhões.

O problema? Boa parte desse crescimento projetado está atrelado à desvalorização do dólar frente a moedas estrangeiras, o que turbina a conversão cambial da receita internacional, mas não representa avanço real na operação.


O que incomodou o mercado?

1. Crescimento não-orgânico

O aumento das receitas não veio acompanhado de dados sobre crescimento da base de assinantes. Desde 2024, a Netflix parou de divulgar esse número e isso levanta dúvidas sobre a força da expansão real da empresa.

Além disso, a revisão positiva das projeções de receita foi impulsionada principalmente por efeitos cambiais, e não por aceleração da demanda.

2. Receita com publicidade ainda é aposta

A companhia destacou a evolução da receita com publicidade, estimada para saltar de US$ 1,9 bilhão em 2024 para US$ 3,9 bilhões em 2025. Mas esse movimento ainda é visto com cautela, já que a Netflix compete com gigantes como Google e Meta por esse mesmo bolo publicitário.

3. Valuation já esticado

Com um múltiplo preço/lucro estimado acima de 44 vezes, a ação da Netflix já embute uma expectativa muito elevada de crescimento. Em contextos assim, qualquer sinal de desaceleração ou crescimento menos “puro”, costuma gerar reações negativas.


O que esperar daqui pra frente?

A Netflix tem trunfos para o segundo semestre de 2025:

  • Estreias aguardadas como a nova temporada de Wandinha e o final de Stranger Things;
  • Novos eventos esportivos e shows ao vivo, como a transmissão do jogo da NFL no Natal;
  • Expansão do plano com anúncios, que já representa 40% dos novos cadastros.

A empresa também prevê um lucro líquido superior a US$ 10 bilhões no semestre, reforçando seu momento operacional forte.


E para o investidor?

Para quem investe em ações americanas, ETFs ou BDRs da Netflix, o recado é claro: o negócio segue sólido, mas o valuation atual exige entrega consistente. A diversificação de receitas com publicidade e aumento das margens são pontos positivos, mas o crescimento da base pagante continua sendo o principal termômetro de longo prazo.