O Banco do Brasil (BBAS3) vive um momento de contrastes. Mesmo em meio a um cenário desafiador, com queda expressiva no lucro e aumento da inadimplência no agronegócio, a instituição aprovou a distribuição de R$ 1,9 bilhão em Juros sobre Capital Próprio (JCP) para seus acionistas.
Distribuição de JCP do Banco do Brasil (BBAS3)
A companhia pagará R$ 0,33425840109 por ação, com base na posição acionária de 2 de junho de 2025. As ações da BBAS3 passaram a ser negociadas ex-direitos a partir de 3 de junho, e o pagamento será realizado em 12 de junho de 2025.
A distribuição é referente ao primeiro trimestre deste ano e reforça o caráter atrativo da BBAS3 em termos de remuneração aos acionistas, mesmo diante de um cenário macroeconômico adverso e desafios internos.
BBAS3: lucro despenca 20,7% no 1T25
O trimestre, porém, foi marcado por uma queda significativa no desempenho do banco. O lucro líquido ajustado da BBAS3 caiu para R$ 7,3 bilhões, representando uma retração de 20,7% em comparação com o mesmo período de 2024 — bem abaixo das expectativas do mercado, que projetava R$ 9 bilhões.
A queda interrompe uma sequência de 16 trimestres consecutivos de crescimento e destaca a BBAS3 como o único entre os grandes bancos a registrar redução no lucro no período.
Impactos da inadimplência e da nova regulação
Segundo o próprio Banco do Brasil, dois fatores principais afetaram o desempenho da BBAS3:
- Alta da inadimplência no agronegócio, que registrou aumento de 1,44 ponto percentual em 12 meses, chegando a 3,04%;
- Implementação da Resolução CMN nº 4.966, que alterou regras contábeis e exigiu maior provisionamento — o que levou a PDD (provisão para devedores duvidosos) a saltar 45% em um ano, chegando a R$ 89 bilhões.
Mesmo com uma safra recorde no país, os efeitos das recuperações judiciais no setor agropecuário pesaram sobre o resultado do banco. Foram 341 empresas do setor em recuperação judicial só no primeiro trimestre de 2025, alta de 38% em relação ao mesmo período do ano passado.
Margem, ROE e guidance pressionados
A margem financeira bruta da BBAS3 caiu 7,2%, afetada por descasamentos de indexadores e pela nova contabilidade exigida. Já o ROE (retorno sobre patrimônio líquido) recuou para 16,7%, bem abaixo dos 20% que o mercado considera ideal — e inferior ao de rivais como Itaú (23%) e Santander (17%).
Diante disso, o Banco do Brasil optou por suspender suas projeções (guidance) para o restante de 2025, especialmente para margem financeira bruta, custo do crédito e lucro ajustado.
Carteira de crédito cresce, apesar dos desafios
Mesmo com a deterioração dos indicadores, a carteira de crédito da BBAS3 cresceu 14% em 12 meses, com destaque para os segmentos de pessoa jurídica (alta de 22,4%) e agronegócio (alta de 9%).
No Plano Safra 2024/2025, o banco já desembolsou R$ 152,5 bilhões, com mais R$ 22 bilhões alocados na cadeia de valor do agro.
Conclusão
A BBAS3 enfrenta um dos trimestres mais difíceis dos últimos anos, com lucro em queda, aumento da inadimplência e pressões regulatórias. Ainda assim, a empresa reforça seu compromisso com os acionistas ao manter a distribuição de proventos em níveis elevados.
Com o preço justo estimado em R$ 21,29, a BBAS3 pode representar uma oportunidade para investidores que buscam dividendos robustos e acreditam na recuperação dos resultados no médio e longo prazo.

