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IFIX em Alta: O Que Explica a Recuperação dos FIIs?

O mercado de fundos imobiliários (FIIs) costuma ser altamente sensível às variações da taxa Selic.

Normalmente, quando há uma elevação dos juros, como a prevista para a próxima quarta-feira (19), as cotações dos FIIs e do índice IFIX tendem a cair. Contudo, o comportamento recente do mercado tem surpreendido investidores.

O Padrão Tradicional e o Movimento Atual

Historicamente, o aumento da Selic impacta os FIIs de duas formas:

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  1. Concorrência com a renda fixa: Com juros mais altos, investimentos conservadores como CDBs e Tesouro Direto se tornam mais atraentes, levando alguns investidores a reduzirem suas posições em renda variável.
  2. Impacto na economia real: O aumento dos juros encarece o financiamento da construção civil e pode reduzir o consumo, afetando especialmente FIIs de shopping centers e lajes corporativas.

Dessa vez, no entanto, o IFIX tem apresentado um comportamento inverso, registrando dez altas consecutivas até a sexta-feira (14).

Desde 17 de fevereiro, o índice teve 16 dias de alta em 18 pregões, acumulando uma valorização de quase 6,5%. Fevereiro também marcou o primeiro mês positivo do IFIX desde agosto do ano passado.

O Que Explica Esse Movimento?

A reação positiva dos FIIs pode ser atribuída a uma combinação de fatores internos e externos.

No final do ano passado, mercados globais enfrentaram turbulências relacionadas às eleições norte-americanas e à incerteza fiscal no Brasil.

Esse cenário elevou as curvas de juros e pressionou as bolsas, incluindo os FIIs.

Além disso, a preocupação com uma possível taxacão dos FIIs e Fiagros ampliou as perdas em janeiro.

No entanto, com a dissipação desses riscos e a divulgação de dados econômicos mais favoráveis, os investidores voltaram a olhar para os FIIs como uma alternativa atrativa.

Perspectivas para os FIIs

Mesmo com a expectativa de mais uma alta na Selic, o mercado já trabalha com previsões menos pessimistas para os juros no longo prazo.

Projeções indicam que a taxa pode começar a cair a partir de 2026, o que beneficiaria os FIIs e estimularia uma recuperação gradual.

Outro fator relevante é a precificação dos FIIs: muitos ainda estão sendo negociados com desconto em relação ao seu valor patrimonial, o que cria oportunidades para investidores que buscam boas relações risco-retorno.

O dividend yield elevado também tem sido um atrativo, tornando os fundos imobiliários uma opção interessante mesmo em um ambiente de juros altos.

A decisão final do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a Selic será anunciada na quarta-feira (19), após o fechamento do mercado.

O desfecho dessa reunião pode impactar a direção dos FIIs no curto prazo, mas o movimento recente sugere que o mercado já está de olho em um horizonte de juros mais baixos nos próximos anos.