Os Fiagros ficam para trás e têm desempenho inferior ao CDI.

Após um início promissor, os fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagros) enfrentam sua primeira crise, à medida que casos de inadimplência e pedidos de recuperação judicial por parte de produtores rurais surgem. Os efeitos dessa conjuntura adversa reverberam por toda a indústria, resultando em um desempenho abaixo da média em comparação com outros ativos.

No mês de abril, os Fiagros registraram desempenho inferior apenas ao IMA-B, índice que monitora uma carteira de títulos vinculados ao IPCA. Em prazos mais longos, como seis e doze meses, os fundos agrícolas têm ficado para trás, até mesmo em relação ao CDI, o principal indicador de referência para investimentos de renda fixa. Quando comparados com outras classes de ativos, como fundos imobiliários, fundos de infraestrutura e fundos de investimento em participações (FIP), os Fiagros se destacam negativamente, apresentando os piores resultados, conforme apurado pela Guide Investimentos.

Além dos preços baixos das commodities agrícolas, os Fiagros indexados ao CDI são diretamente prejudicados pela redução da taxa Selic, que vem caindo desde o ano passado.

Quanto aos temporais ocorridos no Rio Grande do Sul, resultando em um prejuízo estimado em R$ 1,3 bilhão ao agronegócio, é importante destacar que a exposição dos ativos dos fundos à região é limitada. A maioria dos Fiagros possui Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) de empresas localizadas no Centro-Oeste e Sudeste do país.

O fundo com a maior exposição à região Sul é o Valora Fiagro (VGIA11), com cerca de 40% da carteira composta por CRAs de empresas do Rio Grande do Sul, conforme informações da Guide Investimentos. Por outro lado, outros Fiagros, como o Kinea Fiagro (KNCA11) e o Capitania Fiagro (CPTR11), possuem uma exposição menor, em torno de 5% do portfólio, mitigando assim os possíveis impactos decorrentes dos eventos climáticos na região.

VGIA11